Sobre José Saramago sempre me manifestei na forma de “afinador de silêncios”.
Pouca a minha empatia pessoal e quanto à sedução pela escrita como que imposta pela qualidade.
Como tudo que não me empolga e que pode até mover meio mundo, enquanto assim, eu “afino silêncios”.
Uma prenda de Natal, Caim
Li, Caim
Rendo-me, perante a obra.
A escrita envolvente, a análise factual, aceitando-se ou não, é sem dúvida, perfeito de contundente, este livro.
O final com Caim a discutir com Deus causas, efeitos, castigos… ad aeternum assim há-de ser, o homem fora do jardim de éden.
Viva a Eva!
Enquanto leio e dos livros que li, sou meia saltimbanco, meia malabarista, estou sempre a fazer pontes e dar saltos entre as leituras e a vida.
Avé Saramago que me fizeste estar mais atenta para que tanto posso ser Caim como Deus.
"Eles" andam por aqui....
São 19.30h e o fim de um dia com trabalho até um palmo acima da minha cabeça. O estado de espírito é de “locomotiva”.
No hipermercado, vou ao balcão da peixaria. Estão duas pessoas. Decido não tirar senha.
Chega a minha vez, digo à empregada - “Vai-me atender, é a minha vez”
…momento em que por obra e graça, sinto um friozinho e plim! viro Caim! (acontece aos mortais).
No canto esquerdo, oiço uma voz – “Não gosto daquela forma arrogante de falar. Daí valha-me a minha senha. Eu primeiro (mesmo sendo eu depois..) !!!
… momento em que uma fulana igualzinha a mim, dá-lhe um plim! e vira Deus!!! (acontece aos mortais)
Olhei-a, humilde, pecadora.
Não me olhou, olhou o parceiro e justificou-lhe o porquê do meu castigo.
Fiquei Caim.
Ela saiu Deus.
Torce… destorce …
Arruma, direitinho!