segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Uma praga...

Não gosto dos sacos de plástico, tipo supermercado.

Abro o porta-bagagem e... orelhudos lá estão eles a ocupar todo o espaço.

… ou se pende para o lado direito por causa de um deles, que é azul é está bem cheio…
… ou se descai para o lado esquerdo, por causa de um que é rosa com letras gorduchas, de mais um amarelito pálido quase a esvair-se e de mais um outro, branco com uns borrões de tinta a anunciar que o melhor do mundo está ali…
… ou então, qual fiel de balança, tentamos o equilíbrio entre os delambidos dos ditos cujos, sempre orelhudos, sempre deformados, sempre engelhados, sempre com aquele barulhinho irritante do ptchi… ptchi… ptchi…. qrichhhhhhhh… terrekkkk…..

E ainda gosto menos deles, depois.

Inteiros ou pedaços, esvoaçam pelas ruas.
Agarram-se que nem lapas nos passeios.
Há sempre um que se enrosca em nós.

Enchem-nos deles, dão-nos sacos de plástico que duram, duram, duram..........

Algures da Net....

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Basicamente fêmea ou fêmea básica!?

Espreguiço-me.
Levanto-me.

Corro a persiana do quarto… Sol!
Corro as persianas de casa… Sol!

Na cozinha, ao primeiro golo de café…
… as refeições, salgadas e doces; o aspirar; o limpar cada canto ao pormenor para ficar aquele cheiro agradável a limpo; o arrumar as gavetas; o organizar os roupeiros; talvez o mudar o lugar dos sofás; na entrada, subtrair-lhe as decorações.

O envidraçado da sala deixa que o céu como que se sobreponha na mesa. Sento-me a comer o pão com manteiga…
… hoje, não é aqui, no ninho, é lá no azul.

Duche, a muitos graus; o champô, a máscara para o cabelo; os vinte minutos de água a correr-me; o hidratante de aroma.
Olho-me, no espelho:
Não às pinturas de guerra.
Apanho o cabelo, com os dois pauzinhos japoneses.

Camisola, ganga, botas.

Na mala… duas maças verdes e ácidas, garrafa de água, pão de sementes, queijo; caderno, lápis e “Corpo Presente” de Anne Enright

Saio a porta da rua.
Duas marrafas de cabelo caem-me sobre os olhos. Tenho uma relação quezilenta com o meu cabelo desde sempre. Volto atrás e enfio uma boina.

Rua…Rua…
Tejo…Belém…verde erva

Sento-me e leio. Faço intervalos constantes para olhar sem ver, para escutar.
Estico-me na relva. Beliscam-me os pensamentos, o passado, os voos, os suponhamos.

Caminho e piso poças de água da chuva… salpico as calças.

Gosto de piqueniques. Gosto também deste piquenique assim, sozinha.
Tenho a extensão de um rio à minha frente.

Rabisco no meu caderno, linhas rectas, curvas, traços grossos, floreados, escrevo ideias, desenho olhos e barcos.

Está a chegar a brisa e a nuvem.
Depois a noite e os pontos de luz.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Eis-me "L"...... narradora/personagem em Love de Toni Morrison



Sábado, almoço num restaurante em Lisboa.
Fico junto à janela decorada com uma série de luzes de Natal em forma de bolinhas brancas.
Um expert olhou-as e disse:
- Luzes de iluminação fria!!!
E eu ali tão perto, testei.
(Sim luzes! Sim acesas! Sim frias!)
Interroguei:
- Como assim?
O expert:
- Se tivermos esta iluminação de Natal em casa e formos cuidadosos, dura uma vida inteira (ipsis verbis)

STOP.

E o almoço, a acontecer...
Prato, garfada, golada... e a iluminação de Natal que “dura uma vida inteira”....
Janela, luzes a piscar, gente lá fora… e os carinhos, os afectos, o AMOR, que os expert não lembram de cuidar para durar nem mais que uma iluminação quente ......

Saio.

Vou à Biblioteca Nacional ver a exposição “ A expulsão dos jesuítas dos domínios Portugueses”.

Saio.

De volta, no cacilheiro.....


quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

A bola…

Era grande e com gomos de várias cores.
Eu tinha 4 anos, foi a minha primeira bola e não lembro de ter outra.
Perdeu-se ou finou-se, não sei.
Sei que, redondinha, colorida ou a preto e branco, “a bola” continua comigo… saltita à minha volta

... agarro-a junto ao peito (o aconchego)

... lanço-a ao ar e apanho-a (o caminho)

... atiro-a para bem longe e foge-me (o jogo)

... pontapeio-a (o arre!!!)

... Está debaixo do meu braço direito, quando estou confiante!

... Tenho-a segura no equilíbrio instável da minha mão esquerda….

A minha bola tem sabores e cheiros.
A minha bola tem cristais, trevas, deuses, demónios.

A minha bola é molinha mas também pedra dura.

A minha bola é azul… é vermelha….

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

A Revolta das Calorias…

Esta manhã fui atacada por uma bola de berlim bem oleosa e carregadinha de um creme amarelo bem enjoativo… marchou!!!

Em casa, continua a revanche calórica:

Avental…
Dispensa…
Frigorífico…
Que há por aqui????... quê?...quê?... quê?

... molho de tomate
... base de piza quase a terminar a validade
... chouriço alentejano de um porco preto
... metade de um pimento vermelho
... um pacote de queijo ralado
... 3 batatas doces esquecidas

Ligar o forno a 220ºC
Base da massa na forma da piza.
Pincelei com azeite.
Espalhei o molho de tomate, (feito por mim, num dia de pachorra) em quantidade muito generosa.
Salpiquei com orégãos.
Polvilhei com o queijo ralado (3/4 de um pacote de mistura de parmesão e cheddar, porque mozarella não havia).

Com todo o meu jeitinho para as belas artes sobrepus as rodelas de chouriço cortadas em diagonal (ficam maiorezinhas assim).
Agora as tirinhas do pimento.
Umas azeitonas.
E o que restava do pacote do queijo.

Direitinha ao forno, mais ou menos 20 minutos.

… e o cheirinho das calorias a invadir a minha cozinha…

Sai a piza entra o tabuleiro com as batatas doces.

Estou à mesa ….. mastigando
Rendida!!!

.............. Rufam os tambores ..............

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Alhos & Bugalhos

Como o que escrevo é não mais que o meu conversar.
Sendo que a conversa é como as cerejas...
… ora uma…

"Alegria é o momento em que abro a porta de casa e alguém entra.
Gosto de receber no meu ninho… sinto-o como o instante do dar e receber"



… a seguir outra…

No CCB, vi o mês passado a exposição "quick, quick, slow", título que me faz lembrar os passos das danças de salão… quick… quick… slowwwwwww… quick… quick… slowwwwwwwwww.
Este mês vi “Amália coração independente”. Interessante percorrer memórias, músicas, imagens, pertences da fadista. Piscaram-se os olhos nas jóias que usou (diamonds are a girl’s best friend..)
Mas o meu fado fascínio foi o espaço com a peça da artista plástica Joana Vasconcelos “Coração Independente Dourado” bem como as reproduções seguintes em Vermelho e Preto.
Obra inspirada no coração em filigrana de Viana do Castelo, feita com talheres de plástico (divinal como as formas foram dadas), com mais ou menos 4 metros de altura por 2 de largura, giram (os três) enquanto escutamos “Estranha forma de vida”... imaginem!
Que nada... não imaginem, vão até lá, se estiverem afim.

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Desassossegando .....

Alguma vez eras capaz de sentar-te num banco de jardim e comigo escreveres um conto?

Alguma vez eras capaz de ler em voz alta para mim um trecho escolhido por ti, de um livro?

Alguma vez eras capaz de ouvir-me ler para ti um trecho de um livro, escolhido por mim?

Alguma vez eras capaz de ouvir-te, ouvindo-me?

Alguma vez eras capaz de entrelaçar os teus dedos nos meus dedos?

Alguma vez eras capaz???