domingo, 10 de outubro de 2010
Transpiração…
Gotas do suor a correr.
Cheiro que cheira-me.
Pernas em quatro ou em oito. Ou será em dezasseis ou vinte e um...
Recosto voluptuoso é a aduela da porta (da cozinha) .
- Fritos são, 102 croquetes.
- Descascados 8 kg de batatas miudinhas.
- Pelados 2,275 kg de tomate.
- Casca tirada a 4 réstias de cebolas.
- Esborrachados 24 alhos roxos.
- Batidos 35 ovos.
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15 Sopas de grão com massinha pevide
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12 Refogados puxadinhos
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Trivialidades, pois sim.
Assobiando ……… Assobiando ………………………………..
Concluindo:
Quando não há inspiração, resta a transpiração.
Acima o texto(?) escrito, resulta do que mais não é que faltar-me verve.
Aquela fase de eclipse, do niente, do “nã sai nada”… por mais que chocalhe, torça ou dê palminha na base, como no frasco do ketchup.
.... Ainda “dá” mais umas linhas (transpirando....)
Re-..... Assobiando de mãos nos bolsos ………………………
- Emocionar com as flores miudinhas amarelas;
- Saudades de berlindes e abafas;
- Devaneio da gula pelas queijadas de Sintra;
- Uns dois ou três, dos cinco sentidos vão para cacos;
- Gostar de pormenores tanto quanto de pessoas fora de época;
(Isto está bonito, tá!!!...)
Uma boa semana
domingo, 26 de setembro de 2010
Básicamente.... encaixes!
Desde pequena que mexo em chaves de parafusos, serrotes, alicates, berbequim, pregos, lixas, etc.
Rolos, pincéis, tintas de água e sintéticas, diluentes - tudo passou pelas minhas mãos.
No entanto, algures num recôndito canto (meus amigos, não sei onde se situa o dito, portanto, não dá para ir lá e escovar o possível “lixo”) habita uma bandeirinha que diz assim:
“Homem é naturalmente dotado para o lado estratégico da vida.
Tem espada ---> Vai à guerra/ Ganha a guerra.
Tal como:
Tem ferramenta ---> Não há o objecto/ Faz o objecto.
Preciso de uma estante com quatro prateleiras.
Ora… não há homem.
Há o eu … decidida a bricolage e ferramenta.
Há o Ikea… sueco deslavado, em pedaços e encaixotado.
E eis:
“Ai que prazer
Ter sido eu a fazer,
Ter um livro para ler
E colocá-lo com prazer
Numa das prateleiras,
aparafusadas bem ou mal.
Esta, a minha edição original.
E vem até uma brisa que cheira,
A uma quase não dor de domingo
Sem a pressa da nostalgia traiçoeira...
..."
Adaptei-me ao poema do Fernando Pessoa.
domingo, 19 de setembro de 2010
Na época do não bem-bom....
Move o braço direito e desabam mentiras e tretas.
Eleva o braço esquerdo e apanha chuva miudinha, molha muito, de egoísmos e perfídias.
Põe-se em bicos de pés e tropeça nas rasteiras.
Caem-lhe agulhas de ponta fina por todos os lados.
Ó tonta Rioblinda que não sabes lidar com estas luzes da ribalta!
Enrosca-te, meditativa, sossegadinha.... e depois de fininho, ou num rompante, some-te do centro desse círculo.
(Imagem da Net)E ................................ há por aí Rioblindas?
domingo, 5 de setembro de 2010
A porta para Jumandu
Ao princípio fechada, depois ganhei-lhe a chave.
Mais tarde, a fechadura quebrada…
E no começo ir a Jumandu era clandestino, era o“salto”. Fui a Jumandu!
As idas de ocasião a Jumandu.
O coração num baque. O até imaginar que sentia a alma.
Depois, na minha mão a chave da porta… abre-se quando se pode e fecha-se quando se quer.
Jumandu, já não tem o mesmo Sol da manhã nem a mesma caruma do mato.
Mas alimenta todos os meus sonhos.
Chave gira, chave roda para a direita para a esquerda e não tranca e não destranca.
Fechadura frouxa na porta para Jumandu.
É o entra e sai ….
Jumandu rotina, ora amarela, ora cinza, não azul.
Abro e fecho ao olhos, tapo e destapo os ouvidos... brota fio de água salgada.
Saio a correr de Jumandu. E volto a correr para Jumandu.
Hoje, acordei muito cedo.
Desmanchei a porta para Jumandu.
Não vou mais a Jumandu.
(Imagem da Net)
domingo, 22 de agosto de 2010
Remexendo....
Esvazia.
.... estou, a criar espaço para o Ser.
Entre tantos papéis, um cartão impresso.
Vai ficar aqui, pregado com um alfinete na cortina, até que....
domingo, 1 de agosto de 2010
Trincando, fatias de melancia….
Ondas com espuma e sal.
Há os campos férteis das cenouras, das batatas pequenas e bem redondas, das cebolinhas.
Das árvores de fruto com peras, com ameixas, com maçãs “riscadinhas”.
Do chão de terra pejado de melancias verdes escuro… tão doces quanto o vermelho.
Há bichos.
Os do campo.
Os da mata.
Há girassóis.
Barulhos que nascem só da noite.
Pássaros… piu, piu, piu… de manhã.
Não há o vaivém dos passos, das rodas.
Não há gente... há um ou outro, além.
Desligada, provavelmente nada acrescentando à minha genuína ignorância.
Dez dias só eu e as lembranças.
E água fresca com café e rodelas de limão.
(Imagem da net)
domingo, 18 de julho de 2010
Amanhã, inauguração da época balnear…. Nadar…. Nadar… Nadar...
No blogue Crónicas do Rochedo, o Carlos lançou um passatempo com a reprodução de postais de férias – aqueles postais do correio que aqui à uns anos eram habitualmente usados para com duas ou três frases e uma imagem característica, contactar os familiares e amigos – achei a ideia muito interessante.
E aqui estou a participar no desafio.
Este é um postal que entre outros, viajou numas férias até ao Rio de Janeiro.
Foi levado na bagagem do meu pai e de uns primos, numa ida ao Brasil para conhecerem familiares originários daquele país.
Serviu para mostrar como era a cidade onde a família portuguesa vivia – o Porto.
Este postal, sabe-se lá porquê, veio de volta e foi guardado por um tio meu.
Agora eu a fiel depositária….. das memórias....
domingo, 11 de julho de 2010
Uma caipirinha fresquinha por uma palhinha.... com verdades à sombra de frondosas petas.
Nas unhas o verniz vermelho vivo estava estratificado ou antes estava um vermelho vivo desleixado.
Desfez e refez o verniz, em vermelho fogo, rouge passion.
No espelho… o cabelo, ponta maior a tocar os ombros, as repas na testa.
A tesoura afiada do “Magica’s Cabeleireiros” reduz as melenas ao tamanho de alfinetes.
Maria d’Abreu Ferrão, fez cinquenta anos.
Vai dar a volta final, o meio giro que falta em torno do próprio eixo.
Diz que esta é a volta da revolta do sabão, do tudo limpinho.
Conhece-se mal. Sabe de si, pouco.
Esteve à beira de ter aquilo que dizem ser “tudo”.
Interiormente vive num degrau acima ou num degrau abaixo.
Adoptou que a completude de uma vida passa sempre pelo binómio homem/mulher.
Crê firmemente que é força de carácter o que é teimosia e considera modéstia o que não são mais que fraquezas… e há as ocasiões em que lhes troca a ordem.
O Nokia dá aquele dingue dingue característico da chegada de sms.
Maria d’Abreu Ferrão lê:
“És a mulher da minha vida. Amo-te muito.António Joaquim”
Aquilo é como dar milho aos pombos, calçar tamancas, zunido da quebra de pau de giz durante a escrita.
Azucrina-se, entrega-se ao desvario…
Decidida! Certinho e direitinho que o foco da sua atenção vai incidir sobre militar na reserva; profissional de saúde não realizado; advogado amante de causas perdidas; reformado com olhos de ver por dentro e coração de tic-toc-tic-toc;
e um canalizador;
a torneira da cozinha não pára de pingar.
(anseia uma noite de silêncio descompassado)
E uma semana passou.
Rastreando com (um) foco... Ai, só o gotejar se mantém!
E o Nokia dá aquele dingue dingue característico da chegada de sms.
Maria d’Abreu Ferrão lê:
“És a mulher da minha vida. Amo-te muito. António Joaquim”
Palpita (n)o peito… um calorzito… um tem que não tem… um desajeito mimado…
… moem-lhe as entranhas por um canalizador... é certo...
agora, que o botão do autoclismo, emperrou.
domingo, 27 de junho de 2010
Trá-lá-riiiii…. Trá-lá-riiiii….
Não sendo zona que frequente, nem área da minha residência, tenho assistido com alguma regularidade a estes concertos por convite de pessoa amiga que habita no concelho.
O bilhete de acesso tem um valor máximo de 2 euros e permite também visitar quaisquer das exposições que estejam no Palácio… no momento, Graça Morais está lá!
Cada concerto é apresentado e comentado por Alexandre Delgado que certamente uma ou outra vez ouviram na Antena 2 e tem a particularidade de nos entusiasmar tanto quanto ele próprio o está… e ao vivo gesticula qual italiano a comer bella pasta!
Anteontem foi a vez do canto. Um ciclo de canções.
Ana Ester Neves – Soprano
Luís Rodrigues – Barítono
João Paulo Santos – ao piano
… e uma sala com não mais que setenta pessoas, assim, meio intimista, com os concertistas ali à nossa beira.
Se quiserem algo diferente ao corre-corre do dia a dia …. todas as últimas sextas-feiras de cada mês, apareçam.
E hoje, continuando a missão de “Boletim Informativo” …
Dlim…Dlim…Dlom
No Largo do S. Carlos de 26 de Junho a 26 de Julho.
Tal como no ano passado, espero noites muito bem passadas....
“Festival ao Largo”
Programação
Muita travessia eu vou fazer do Tejo….. ao Tejo....
domingo, 20 de junho de 2010
Quando o coche é uma abóbora….
… quando as fronteiras do reino estão definidas, algumas conquistas seguras e supostamente chega o usufruir de subir à torre de menagem e olhar embevecida o príncipe herdeiro no seu reino além.
… quando a espada é colocada no colo.
… quando a capa do tempo, dá o tempo para a rainha desenhar-se no espelho.
Eis que os ciclos do reino se quebram!
Os relógios anunciam-se a girar ao contrário…..
Revolver-se.
Recomeçar.
Sabe a rainha cozer meias, fazer açorda, lavar chão, cantarolar no corredor do supermercado e ao subir a Avenida da Liberdade….
mas agora, que já não na flor da idade, desejava a banalidade de uma mordomia.
Algum dia lhe vai tocar uma nuvem azul celeste ou uma bola multicor?
terça-feira, 8 de junho de 2010
Historietas….
Irra…para o encanto dos frequentadores assíduos!
E a juventude com laivos tão particulares que por lá aparece, neste momento perderam-lhe a graça.
E os filmes!
Necessita-se de um intervalo.
Por vezes, Tiolobinda guarda na caixinha as “jóias” para o advir… sabe-o breve.
…………………………………………….
Lindaura Esteves, esteve este fim de semana no CCB.
Esta moçoila criada na ruralidade, adapta-se ao labirinto das exposições e peças de arte.
Silêncios, multicores, preto e branco, non-sense.
… provavelmente, a envolvente dos jardins e do Tejo lhe apazigúem os gostos eclécticos e insatisfeitos….
…………………..
Quatro dias de folga no trabalho profissional de Maria das BemAventuranças.
Fazer obras no convento.
- Benfeitorias; tarefas humildes; curas à alma; expurgos ao corpo; calendarização de ofícios; participação em novenas.
…se proveitosos estes dias, Maria das BemAventuranças, Abadessa e noviça do convento, tomará o nome de Alexandrina BrilhaAinda.
domingo, 30 de maio de 2010
Quando o nariz se junta aos joelhos....

ADIAMENTO
Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir...
Sim, o porvir...
(Álvaro de Campos)
Estava este poema, num papelzinho amachucado... entre uma camisola de lã e um blusão de cabedal preto.
Cheiro a erva-doce....
domingo, 23 de maio de 2010
Ser ou não ser.... também, minha a questão!
- O vício da bica das 11h, diz ela.
Hoje, não tem a companhia do marido.
O Eng. Prazeres é presença semana sim… semana não. Semana com ela, semana com a costureira do bairro de Alfama.
Nem enganos, nem ilusões. Contrato aceite pelas três partes.
Na semana sim da D. Maria Gustava, vejo-os de mãos dadas, entre eles um netinho… riem e sobem a rua.
Dias de um amor e bica das 11h…
E assim, a condição de ser feliz é... serenamente aceitar e não questionar.
Simples...
... não fora em mim habitar um mafarrico sussurrante.
domingo, 16 de maio de 2010
... e o mar com alguma ondulação ....
A casca do meu ovo é a minha casa, a minha família, a gente que faço minha, a gente a que me dou.
Sair do meu ovo sem lhe perder a casca, buscar ser autêntica - é mar de tormentas… Adamastor, à vista!
E por vezes, sinto-lhe o cansaço.
“Um supremíssimo cansaço. Íssimo… íssimo… íssimo…. Cansaço... “
.......................
Tenho-me por “saltimbanco” nestas coisas, não desisto fácil de pinchos e espernear.
Mas preciso de um dia, dois dias, de descanso… para olhar o Tejo.
domingo, 9 de maio de 2010
Esconde… Esconde…. Esconde e Foge!
Quatro questões sobre mim, numeradas de 1 a 4.
Quatro respostas minhas, “hifenadas”… (rs)
1- Dois defeitos meus:
Escolhi, dois dos meus defeitos.
- Sou a minha pior inimiga.
- Fervem-me as emoções. Depois “pelo-me”…
2- Duas qualidades:
Que por vezes, se confundem com defeitos.
- Quando acredito… nunca me digam não vás por aí.
- Adoro cerejas!
3-Música preferida:
Gosto de tantas músicas…………
Por épocas… por estados de espírito… por momentos…
- Hoje… revejo-me nesta:
4- Frase orientadora de vida:
- Respeitar o outro
Ó domingo do meu descontentamento....
... fora eu um zé-pereira, um bombo ou uma concertina…
domingo, 25 de abril de 2010
Pérolas….
Ontem, o tema foi “Matemática e Cultura”.
Ora, uma das fórmulas chave que atravessou o seu percurso artístico multidisciplinar foi a da busca da unidade, que expressava como:
1 + 1 = 1
……tal como no amor, dizia Almada
- Porque busca a maioria de nós, como que o Shangri-La em:
Eu e Tu sermos Um
assim, coisa tipo, comida num tacho (mesmo que docinha….):
Misturo o meu Eu com o teu Eu.
Muito bem até não se distinguir grãozinho de um ou de outro
e resulta um,
EUTU…UTEU…ETUU !!!!
- Perco a minha identidade, diluo-me no outro?
Ontem, Almada Negreiros, recuperou-me a fórmula ao meu jeito, assim:
1 + 1 = 1
Decomponho em:
Eu + Tu = Eu
Resultado final:
EU
… sempre o meu Eu. Mas mais pleno, mais reforçado, maior…. tem adicionado o complemento do (teu) Tu.
Excelente, ora não?
(fórmula válida para o teu Eu)
Outras pérolas….
Esta talvez, uma pérola entre o rosa pálido, o azulinho bebé e o amarelinho gema de ovo
Sabes…. excita-me muito e depois não consigo dormir!”
(ipsis verbis)
…. dizia uma senhora para a amiga, numa das mesa do café da Fnac - Chiado…. eu bebia um sumo de laranja e desfolhava o jornal.
(ando a ficar uma mulher com cada vez menos certezas...)
*abstraindo da personalidade aquém a artística
sábado, 17 de abril de 2010
Estala a bomba e o foguete vai no ar... Arrebenta fica todo queimado
É como estou com os "convencidos".
Cercaram-me por todos os lados, esta semana.
Os Convencidos da Vida
Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer.
Vençam lá, à vontade.
Sobretudo, vençam sem me chatear.
.........
Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios.
Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento.
Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
.....
No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível.
É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes».
Não importa: o caminho é em frente e para cima.
A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas.
Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface».
Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.
(Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim")
Aos "convencidos", às "mentes brilhantes", aos "santificados", aos"que jamais vergam":
Hoje, não... é sábado.
Amanhã, sem lhes tocar, vou soprar-lhes forte.... over my shoulder.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Antes que chegue domingo.....
Enroscada eu, naquela posição fetal, poisar a minha cabeça no teu colo...
... os teus dedos fazerem remoinhos nos meus cabelos...
quinta-feira, 1 de abril de 2010
... no caminho de casa, um tapete de funcho....
Folar e pão de ló.
Cabrito assado.
Morte e Ressurreição.
A cada um, desejo o regalo do que vos aprouver.
Encantem-se.
Páscoa Feliz!

Eu, detrás da minha janela, oiço a melodia de sonhos interrogados...
O meu olhar a subir… a subir, para uma nesga de céu!
domingo, 21 de março de 2010
Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu...
Silvinha Ruça jamais viajou além de Portugal ou de Espanha. Quando as conversas são sobre a estadia num determinado país, ou se desfolha na mesa do café, uma revista de uma agência de viagens… Silvinha ouve.
Se muito atentas, podemos saber o que Silvinha não conhece, jamais o que Silvinha conhece.
Silvinha Ruça é a minha vizinha do 4º Frt. Conheço-a do sobe e desce do elevador, desde que fomos estrear a “nossa primeira casinha”.
Tivemos os nossos momentos áureos nas cumplicidades de jovens recém-casadas.
Silvinha Ruça planeava tudo… e depois, concretizava tudo…
Ano I – Casamento.
Ano II – Ser Mãe.
Ano III – Habitação própria.
Ano IV – Habitação secundária.
Ano V – Reconstrução de antiga habitação de família.
(a haver reencarnação, Silvinha na vida imediatamente anterior teria andado entre o construtor civil e o agente imobiliário)
Ano VI – Viajar
…com planos perfeitos, ao pormenor, os do Ano VI.
Ano VI em que a vida fez um manguito à Silvinha Ruça!
A seguir ao Ano VI - Viajar, Silvinha compra uma gaiola.
Lustra a gaiola, recolhe-se eremita na gaiola.
Silvinha Ruça fechada na gaiola a sonhar as viagens que não fez.
Ontem de manhã, quando descia no elevador do prédio, olhei o espelho… colado com fita cola um papelzinho que dizia assim:
Peço sugestões para uma estadia de três dias em Paris
Obrigado
Silvinha Ruça
PS – Já toquei por três vezes à campainha do 4º Frt. Ninguém responde. Deixei um papelzinho por debaixo da porta que dizia assim...
