domingo, 16 de janeiro de 2011

Plim! Plof! Pfffffffffffff………….

(A Boneca de Kokoschka)

Saltam os elásticos que unem corpo, espírito - o todo.
Não capaz do remendo, não sabendo o disfarce - as interrogações para escolher o desenho da máscara.

Eis-me frágil e desengonçada.
Voltarei quando reunir as pontas.

Abraço-vos.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Com um Abraço, com um Beijo....


A criança que ri na rua,
A música que vem no acaso,
A tela absurda, a estátua nua,
A bondade que não tem prazo -

Tudo isso excede este rigor
Que o raciocínio dá a tudo,
E tem qualquer coisa de amor,
Ainda que o amor seja mudo.

(Fernando Pessoa)



Um Feliz 2011 !

Saúde, Paz, Amor e Esperança

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sexta-Feira...

Travessia Cacilhas-Cais do Sodré.
Próxima partida às 20.30h.

Ele é alto, rosto de ossos salientes, pele muito branca e cabelo muito preto.
Tem sobretudo negro, comprido, grande demais para um corpo que adivinho magro.
Os sapatos pretos e empoeirados.

Sexta-feira, nós sentados frente a frente.
Eu no banco de cá, ele no banco de lá.
… a meio do Tejo, olho-o.
Nem um músculo do rosto se move, pouco os olhos pestanejam.
E escorrem-lhe lágrimas grossas.
Não as apara, correm, correm, correm... sem margem.

Sexta-feira, não passei para o banco de lá, não fui capaz.

Este banco de cá…

Nem lhe sei o nome.
Ele é um, entre mil.

domingo, 28 de novembro de 2010

? ? ? ?

Os Mimados

Um teimoso é naturalmente um mimado?
Um mimado é quase sempre um teimoso?

Um mimado é também um egoísta?


O Mimo

O mimo é não mais que um faz de conta?


E os Outros

Porque são os pouco mimados ácidos e desconfiados?
Porque os pouco mimados, não distinguem mimo de pieguice?


(Estes dois, mimam-se...)

domingo, 14 de novembro de 2010

Sobrou um… Mon Chérie

(carta ao Serôdio)

Serôdio, querido

Atendendo à minha intrínseca incapacidade de conquista de um relacionamento amoroso que me complemente… Quero um gato!


Terei uns olhos à minha espera.
Sentirei o toque de um embrulharem-se-me nas pernas.

Pular do chão para a cadeira. Pular para a mesa. Pular para o colo.
Pular!
Pular porque se está feliz.

Escutarei sussurros e passos que vêm para mim.
Farei cumplicidades nos silêncios.


Serôdio, querido

Assim como assim, a tua marca em mim é profunda. Inalienável.
O gato, tal como tu, não tem projectos nem sonha...

P.S.

Serôdio, querido
Escolhi uma raça híbrida – Ragdoll



("Soledad", para ouvir ... )

domingo, 7 de novembro de 2010

Madeira tosca....

Diz ela, para a outra ela:

Pergunta-me do que necessito.
Respondo-te:
Nada!
Tenho tudo, até sobras. Sou saudável e intelectualmente capaz.
Pergunta-me que projectos tenho.
Respondo-te:
Fabrico desejos!

Diz a outra ela, para ela:

Descobri-te!
És o teu desenho.
… com rectas, curvas, cores.

Sabes sair dessa folha de papel?


[Monólogo de Maria
Ora sentada ora em pé na sala vazia
HGO - Almada
3 de Novembro, 03.15h]

sábado, 30 de outubro de 2010

Assim, tão simples...

.
Quem és tu para me julgar, lambisgóia?

Porventura, sabes que tropecei numa pedra e cai num ribeiro com remoinhos, enquanto tu andavas às violetas?
Bebi tinta da china, enquanto tu tinhas braços às voltas nos teus lindos ombros?

Hoje, apanhei um pombo de asa quebrada.
Enfiei-o entre a camisola e o peito.

Comi gomas no Chinês. E comprei um pacote de leite.
O tempo adoeceu-me.

Lambisgóia, tu não sabes nada de mim!!


[Mais ou menos um monólogo de:
Emília Guerreiro, uma sem abrigo
Praça da Ribeira, Lisboa
Sexta-feira, 29/10/2010, pela noite dentro…]

(imagem da net)