O que escrevo não é ipsis verbis o que sou. ... é também o soltar do meu Eu fiteiro.
E então quando é o recordar de um sonho em sono agitado por noite de tosse e mais tosse e volta a tossir…
“Bom Dia!... Bom Dia!.. Bom Dia! (mais de vinte bons dias por aquele corredor fora…) - Entro na minha sala de trabalho e…. … na minha secretária de 1.80x0.80m, recorte de canto e acrescento de 1.20x0.95m, está a minha vizinha do 4ºDto!!!! - Com aquela juba enorme que ela tem e num vaivém indolente na minha cadeira.. … de perna esticada, sandália lindaaaaaaaaaaaaaa e os deditos do pé a dar a dar, salpicados de um vermelho de esbugalhar.
Chiça que estou a ficar pequenina!!!!! (e juro, nem ela é matulona nem eu franganota)
- Com o indicador direito bem firme, a fulana, aponta-me uma secretariazinha minúscula no fundo dos fundos…”
A tosse nocturna acorda-me.
E o domingo, que é sempre do meu descontentamento, está também carregadinho de pulgas. Coço-me até 2ªfeira, enquanto não abrir a porta da minha sala de trabalho.
Tudo começa no 1. O ano começa no mês 1, Janeiro… e eu, “desengonço-me” em Janeiro. Não gosto de Janeiro. (Talvez o 1º lugar me assuste…)
Gosto do 2… do mês 2, Fevereiro. Um e mais outro dia do calendário deste mês, fui feliz. (Talvez o 2º lugar me seja confortável…)
Fevereiro, é um bom mês para (re)começar.
Andava ela no sobe e desce de catar pontas soltas, quando se lembrou daquela rotina de sexta-feira à noite...
20h - Ele telefona - Então, vamos a cinema? Ela – Há alternativa? Ele – Às 21.15h encontramo-nos lá. Desliga
21.15h - À porta do cinema. Ele - Um transito, do caraças!!! Como foi o teu dia? Ela - Passou-se. E o teu? Ele - Estou cansado. Muito trabalho. Ela - ? Ele - Pois, desde as 10.30h a assistir a um ciclo de conferências na Gulbenkian, saí a correr às 18h para assistir ao concerto da Metropolitana. Só jantei croquetes!
21.30h - Começa a sessão.
23.45h - Fim da sessão. Ela – Que achaste do filme? Ele – Adormeci. Ela – Eu reparei. Ele – Conta-me como foi aquela cena do …. Ela – Ora, isso é contar o filme todo. Ele – Tens cá um feitio!!!!
E repete… repete-se… repete-se …
Viva o “cinema” da cinemateca, sexta-feira à noite!
Pelo que recebi no meu post anterior, porque me fizeram bem… agradeço-vos com um beijinho e um abraço (e cupcakes para quem for de cupcakes): Maria Teresa, São, Observador, JPD, Justine, Aflores, Lilá(s), Jorge P.G., Isa, Carapau, Retrato, Há, Nilson, Carlos Barbosa de Oliveira, Idun, Augusto, Duarte.
Saltam os elásticos que unem corpo, espírito - o todo. Não capaz do remendo, não sabendo o disfarce - as interrogações para escolher o desenho da máscara.
Eis-me frágil e desengonçada. Voltarei quando reunir as pontas.
Travessia Cacilhas-Cais do Sodré. Próxima partida às 20.30h.
Ele é alto, rosto de ossos salientes, pele muito branca e cabelo muito preto. Tem sobretudo negro, comprido, grande demais para um corpo que adivinho magro. Os sapatos pretos e empoeirados.
Sexta-feira, nós sentados frente a frente. Eu no banco de cá, ele no banco de lá. … a meio do Tejo, olho-o. Nem um músculo do rosto se move, pouco os olhos pestanejam. E escorrem-lhe lágrimas grossas. Não as apara, correm, correm, correm... sem margem.
Sexta-feira, não passei para o banco de lá, não fui capaz.