Quando sou brindada com esta expressão “Ó Filha!”, além de uma reacção visceral, o conceito acerca da pessoa que a profere vai para uma espécie de buraco negro – sou primária, reajo tipo cãozinho de Pavlov.
Nem na voz melodiosa e trémula dos idosos o “Ó Filha…” me soa terno.
Nem numa conversa de amigas ou entre mulheres, um “Ó Filha!” me deixa sem prurido.
E se acaso o brinde do “Ó Filha!” é proferido por indivíduo do sexo masculino? Pronto! Estou perante o meu calcanhar de Aquiles! (provavelmente, sobre isto será Freud que explica…) Está o caldo entornado!!!! O homem morto.
“Ó Filha”… (era) só para o meu Pai.
P.S. - Obviamente que há o “Ó Filha…” dito, redito, nredidito pela senhora minha mãe que de tão dito, com as entoações mais diversas… é bênção.
Pedro conheceu Maria, mãe de quatro filhos. Paixão, Amor. Pedro casa com Maria. Dois salários magros e a prestação gorda de um T3 necessário para juntar seis corpos a reclamarem. Não há cortes, voltas ou revoltas, há decisões. Pedro tem quatro crianças, o(seu) quinto filho não é sonho concretizável naquela família. E Pedro agarra-se a estes quatro filhos como ao sangue das suas veias, tão seus, tão seus… a chucha; os livros para o 2º ciclo; a febre; o beijo; os risos; o braço partido; dois pacotões de fraldas; ganchinho para o cabelo; sapatos rotos; cerelac; Pai! Pai...
Pedro é do género Masculino… com a particularidade do complemento circunstancial (estruturado em valores)
2 boas pencas (sabem quais são? … são as couves portuguesas, aquelas que comemos com o bacalhau no Natal)
3 cenouras grandes
1 couve branca (repolho)
6 batatas
Sal q.b
Põe-se numa panela grande a carne de vaca, deixa-se cozer um pouco e depois põe-se a galinha a cozer e tempera-se com sal.
Numa outra panela põem-se as outras carnes que já devem estar bem lavadas, e os chouriços a cozer (não deitamos sal porque as carnes já são salgadas).
Entretanto, põe-se na panela da carne de vaca as cenouras e as pencas, as quais devem estar atadas com uma linha branca para não se perderem; passados 30 minutos, lançamos na mesma panela as batatas inteiras, apenas com um lanho. Deixamos cozer e, quando as batatas estiverem meias cozidas, tiramos da outra panela todas as carnes e chouriços que já estão cozidos e juntamos na panela grande que já tem tudo.
Quando as batatas estiverem cozidas, o cozido está pronto.
Colocamos numa travessa, todas as carnes, os chouriços cortadas aos bocados (toros), as batatas direitas e a hortaliça (sem as linhas) e enfeitamos com a cenoura.
Vai para a mesa bem quente e acompanha com arroz seco.
Se na água do cozido (ou seja da panela grande), acrescentarmos um pouco de feijão branco, já cozido, e um pouco de massa miúda dá uma óptima sopa.
…. e é assim um cozido à moda da minha da família materna.
Depois, lá vem a tia Prazeres, com a travessa do leite creme queimado enfeitado com montinhos torcidos de claras batidas, como só ela o sabe fazer….
(imagem da net, que o nosso mal poisou inteiro, sofregamente era repartido em pedacinhos...)
Ai meus Deuses, meus Deuses, meus Deuses…. que o Carnaval é gordoooo, gordoooooooo, gordoooooooo!!!!
O que escrevo não é ipsis verbis o que sou. ... é também o soltar do meu Eu fiteiro.
E então quando é o recordar de um sonho em sono agitado por noite de tosse e mais tosse e volta a tossir…
“Bom Dia!... Bom Dia!.. Bom Dia! (mais de vinte bons dias por aquele corredor fora…) - Entro na minha sala de trabalho e…. … na minha secretária de 1.80x0.80m, recorte de canto e acrescento de 1.20x0.95m, está a minha vizinha do 4ºDto!!!! - Com aquela juba enorme que ela tem e num vaivém indolente na minha cadeira.. … de perna esticada, sandália lindaaaaaaaaaaaaaa e os deditos do pé a dar a dar, salpicados de um vermelho de esbugalhar.
Chiça que estou a ficar pequenina!!!!! (e juro, nem ela é matulona nem eu franganota)
- Com o indicador direito bem firme, a fulana, aponta-me uma secretariazinha minúscula no fundo dos fundos…”
A tosse nocturna acorda-me.
E o domingo, que é sempre do meu descontentamento, está também carregadinho de pulgas. Coço-me até 2ªfeira, enquanto não abrir a porta da minha sala de trabalho.
Tudo começa no 1. O ano começa no mês 1, Janeiro… e eu, “desengonço-me” em Janeiro. Não gosto de Janeiro. (Talvez o 1º lugar me assuste…)
Gosto do 2… do mês 2, Fevereiro. Um e mais outro dia do calendário deste mês, fui feliz. (Talvez o 2º lugar me seja confortável…)
Fevereiro, é um bom mês para (re)começar.
Andava ela no sobe e desce de catar pontas soltas, quando se lembrou daquela rotina de sexta-feira à noite...
20h - Ele telefona - Então, vamos a cinema? Ela – Há alternativa? Ele – Às 21.15h encontramo-nos lá. Desliga
21.15h - À porta do cinema. Ele - Um transito, do caraças!!! Como foi o teu dia? Ela - Passou-se. E o teu? Ele - Estou cansado. Muito trabalho. Ela - ? Ele - Pois, desde as 10.30h a assistir a um ciclo de conferências na Gulbenkian, saí a correr às 18h para assistir ao concerto da Metropolitana. Só jantei croquetes!
21.30h - Começa a sessão.
23.45h - Fim da sessão. Ela – Que achaste do filme? Ele – Adormeci. Ela – Eu reparei. Ele – Conta-me como foi aquela cena do …. Ela – Ora, isso é contar o filme todo. Ele – Tens cá um feitio!!!!
E repete… repete-se… repete-se …
Viva o “cinema” da cinemateca, sexta-feira à noite!
Pelo que recebi no meu post anterior, porque me fizeram bem… agradeço-vos com um beijinho e um abraço (e cupcakes para quem for de cupcakes): Maria Teresa, São, Observador, JPD, Justine, Aflores, Lilá(s), Jorge P.G., Isa, Carapau, Retrato, Há, Nilson, Carlos Barbosa de Oliveira, Idun, Augusto, Duarte.