domingo, 9 de outubro de 2011

Queixinhas


Com o pé dentro de casa:

São meus os lençóis mas não a cama onde me deito.
A toalha da mesa foi escolhida e comprada por mim. É minha a loiça e meus os talheres e os copos por onde bebo mas a mesa onde apoio os meus braços não me pertence.
Descanso em sofás e sento-me em cadeiras que não aconchegam o meu repouso.
Toco em móveis e candeeiros que não contam a minha história.


Com o pé fora da casa:

Carros estacionados a eito que me obrigam a ziguezaguear, prédios erguidos que nem muralhas a invadir o meu espaço de conforto, gente que não me olha e corre, corre, corre.
Não há conversas, há monossílabos. 
Aqui é assim.

(…. mas, 500m mais abaixo, a realidade é diferente – as casas são proporcionais às famílias, há quintais-jardins, quintais-hortas, gente que olha, olha, olha mas não fala e… os homens aos domingos erguem os cús sobre os motores dos carros ou pegam na mangueira e lavam-nos muito lavadinhos (aos carros);
as senhoras colhem tomates fresquinhos pela manhã ou umas florinhas, para a mesa do almoço de domingo.
Prima, quilhas-te-me*!!!)

*pregar partida


Agora, ó sejas lá quem és, chega-te aqui à minha beira, que eu vou contar....

Ontem atravessei o Tejo e conheci o CCAmoreiras, isto de andar sozinha em lugares desconhecidos está a ser mais difícil que o primeiro dia de escola.
Aguenta MJ, aguenta!!!
Então não é que me dá para ir ao cinema? Eu pela primeira vez no cinema, sozinha!? Eu!!!
Aquela hora, único filme – Johnny English .
Sala cheia, muitas pipocas, muitas garrafas de refrigerantes, muito barulho.
Conclusão aqui da bimba:
Não me ri quase nada (mas eu gosto do Mr.Bean, um bocadinho e às vezes…), não gostei do ambiente, da barulheira, do levanta-senta. Não preencheu!
Estou fora do contexto, velha ou decididamente esta não é a “minha turma”?

domingo, 2 de outubro de 2011

Nova Gerência

Desci das berças e vim sem valor de trespasse.
“... podes ficar com a casa.... com o carro............... com o blogue...” - disse-me a MagyMay* - e é este o meu único início.

Agora é descobrir o que está à minha volta – pessoas e lugares.
Começar por ajeitar (o espaço) e ajeitar-me (no espaço) onde é tudo novo.

Como me vou sair num recomeço aos cinquenta anos?
Não sei, não.

A prima da MagyMay






* MagyMay, optou pelo voo…. o 427 que não tinha quatro horas de espera no aeroporto de Florença.
E deixou besitos para todos, muitos, muitos.

domingo, 15 de maio de 2011

Savez vous planter les choux????

Tanta terra fértil abandonada.
Tanto campo de cultivo condenado a ser estéril.

E um tanto de qualquer pedaço de tanto, deixado a ver o mar…

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Florinhas no campo e calor.
Algum calor....


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E amanhã, dia de trabalho.
Viva o trabalho!

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E eu, tenho andado em penitência.
Experimentando quer credos cristãos, quer credos orientais - seja com as monjas da ordem do supremo sacrifício, seja com as monjas tibetanas do sol nascente - praticando o voto do silêncio.
Sim, SILÊNCIO!
Porque não há meio de eu aprender a suavizar, lidar, dominar “o diabinho” das minhas indignações.
Ando, estou … irónica, desbragada, contundente ... um “cavalo à solta”, na análise de tudo e de todos.
Eis-me, de espada na mão!
E não pode!
Daí, resta votar-me ao SILÊNCIO e “ rezar”, “rezar”, "rezar”…


P.S - Não abandonei o blogue, mas não sei quando vou voltar a escrever novo post.
De certeza, que será quando tiver gosto e vontade em fazê-lo.

… o que quero recomeçar é o convívio convosco.
(comentando os vossos blogues, vale?)


Beijos, a quem é de beijos

Abraços, a quem é de abraços


domingo, 10 de abril de 2011

Soltar os bichinhos….

Ai que prazer soltar o mafarrico que me habita.
Que gosto também em libertar o danado do escorpiãozinho.
Porque tirando estes breves segundos, sou uma anjinha... podeis crer!

Há uma FeDora na minha vida de 2ª a 6ª feira.
A FeDora anda em preparativos para uma semana de férias no Brasil.
Assim há oito dias, oito crazy, lazy days... na espera da “hora do despacho”, o assunto da conversa de FeDora são diamantes lapidados, rubis, perolazinhas:

- Comprei três pares de cuecas para levar para as férias.
(FeDora tu não achas que contar esses pormenores, pode levar a que se não imagine só os possíveis pormaiores?)

- Faz frio ou calor no Rio?
(Silêncio)
- Dizem que por lá o tempo está fresco tenho de levar roupa que agasalhe.
... até comprei um bustier lindo, os olhos da cara, 125 euros... como dá para trazer para aqui, depois vêem!
(Poupem-me)

- Eu e o meu marido viajamos muito, sempre os dois... e claro, vão os nossos amigos.
(FeDora sem os amigos a vida era tão vazia, tão chata, monótona, sensaborona, não era?)

- Eu gosto de estar em casa, gosto da minha casa. Eu sou uma mulher caseira.
Se tivesse tempo até cozinhava.
Mas agóra péssual vou sambá!
(Esta é uma preciosidade, um rubi com incrustações de diamantes)

- Ai, estou quasi, quasi de férias.
Vocês, nasceram para isto? Eu não! Eu gosto é que não de cansem a cabeça!
(FeDora… bilú, bilú, bilú!)



Agora, mafarrico para a casota!


Volta anjinha... volta...


Já tenho a auréola sobre a cabeça.

domingo, 3 de abril de 2011

Ó Filha!

Quando sou brindada com esta expressão “Ó Filha!”, além de uma reacção visceral, o conceito acerca da pessoa que a profere vai para uma espécie de buraco negro – sou primária, reajo tipo cãozinho de Pavlov.

Nem na voz melodiosa e trémula dos idosos o “Ó Filha…” me soa terno.

Nem numa conversa de amigas ou entre mulheres, um “Ó Filha!” me deixa sem prurido.

E se acaso o brinde do “Ó Filha!” é proferido por indivíduo do sexo masculino?
Pronto! Estou perante o meu calcanhar de Aquiles!
(provavelmente, sobre isto será Freud que explica…)
Está o caldo entornado!!!!
O homem morto.

“Ó Filha”… (era) só para o meu Pai.

P.S. - Obviamente que há o “Ó Filha…” dito, redito, nredidito pela senhora minha mãe que de tão dito, com as entoações mais diversas… é bênção.


(imagem da net)

domingo, 20 de março de 2011

O género é Masculino

Pedro conheceu Maria, mãe de quatro filhos.
Paixão, Amor.
Pedro casa com Maria.
Dois salários magros e a prestação gorda de um T3 necessário para juntar seis corpos a reclamarem.
Não há cortes, voltas ou revoltas, há decisões.
Pedro tem quatro crianças, o(seu) quinto filho não é sonho concretizável naquela família.
E Pedro agarra-se a estes quatro filhos como ao sangue das suas veias, tão seus, tão seus…
a chucha;
os livros para o 2º ciclo;
a febre;
o beijo;
os risos;
o braço partido;
dois pacotões de fraldas;
ganchinho para o cabelo;
sapatos rotos;
cerelac;
Pai!
Pai...

Pedro é do género Masculino…
com a particularidade do complemento circunstancial (estruturado em valores)


PS - Porque há coisas que senão digo, sufoco.

domingo, 6 de março de 2011

Põe a máscara… Tira a máscara…. quantas vezes se quiser!

Hoje é domingo gordo.
É dia de cozido à portuguesa.
Toca a empanzinar as barriguitas!

Façam assim:

1/2 galinha
300 gr de presunto
1/2 kg de carne de vaca
1/2 orelheira salgada (pequena)
1/2 kg de toucinho entremeado
1 chouriço de carne
1 sanguinha (chouriço sangue)
1/2 kg de entrecosto salgado
2 boas pencas (sabem quais são? … são as couves portuguesas, aquelas que comemos com o bacalhau no Natal)
3 cenouras grandes
1 couve branca (repolho)
6 batatas
Sal q.b


Põe-se numa panela grande a carne de vaca, deixa-se cozer um pouco e depois põe-se a galinha a cozer e tempera-se com sal.
Numa outra panela põem-se as outras carnes que já devem estar bem lavadas, e os chouriços a cozer (não deitamos sal porque as carnes já são salgadas).
Entretanto, põe-se na panela da carne de vaca as cenouras e as pencas, as quais devem estar atadas com uma linha branca para não se perderem; passados 30 minutos, lançamos na mesma panela as batatas inteiras, apenas com um lanho. Deixamos cozer e, quando as batatas estiverem meias cozidas, tiramos da outra panela todas as carnes e chouriços que já estão cozidos e juntamos na panela grande que já tem tudo.
Quando as batatas estiverem cozidas, o cozido está pronto.

Colocamos numa travessa, todas as carnes, os chouriços cortadas aos bocados (toros), as batatas direitas e a hortaliça (sem as linhas) e enfeitamos com a cenoura.

Vai para a mesa bem quente e acompanha com arroz seco.

Se na água do cozido (ou seja da panela grande), acrescentarmos um pouco de feijão branco, já cozido, e um pouco de massa miúda dá uma óptima sopa.

…. e é assim um cozido à moda da minha da família materna.


Depois, lá vem a tia Prazeres, com a travessa do leite creme queimado enfeitado com montinhos torcidos de claras batidas, como só ela o sabe fazer….

(imagem da net, que o nosso mal poisou inteiro, sofregamente era repartido em pedacinhos...)



Ai meus Deuses, meus Deuses, meus Deuses…. que o Carnaval é gordoooo, gordoooooooo, gordoooooooo!!!!

e como digestivo, dance with me: