domingo, 18 de julho de 2010

Amanhã, inauguração da época balnear…. Nadar…. Nadar… Nadar...


No blogue Crónicas do Rochedo, o Carlos lançou um passatempo com a reprodução de postais de férias – aqueles postais do correio que aqui à uns anos eram habitualmente usados para com duas ou três frases e uma imagem característica, contactar os familiares e amigos – achei a ideia muito interessante.
E aqui estou a participar no desafio.


Este é um postal que entre outros, viajou numas férias até ao Rio de Janeiro.

Foi levado na bagagem do meu pai e de uns primos, numa ida ao Brasil para conhecerem familiares originários daquele país.
Serviu para mostrar como era a cidade onde a família portuguesa vivia – o Porto.
Este postal, sabe-se lá porquê, veio de volta e foi guardado por um tio meu.
Agora eu a fiel depositária….. das memórias....

domingo, 11 de julho de 2010

Uma caipirinha fresquinha por uma palhinha.... com verdades à sombra de frondosas petas.

Olhou os pés.
Nas unhas o verniz vermelho vivo estava estratificado ou antes estava um vermelho vivo desleixado.
Desfez e refez o verniz, em vermelho fogo, rouge passion.

No espelho… o cabelo, ponta maior a tocar os ombros, as repas na testa.
A tesoura afiada do “Magica’s Cabeleireiros” reduz as melenas ao tamanho de alfinetes.

Maria d’Abreu Ferrão, fez cinquenta anos.
Vai dar a volta final, o meio giro que falta em torno do próprio eixo.
Diz que esta é a volta da revolta do sabão, do tudo limpinho.

Conhece-se mal. Sabe de si, pouco.
Esteve à beira de ter aquilo que dizem ser “tudo”.
Interiormente vive num degrau acima ou num degrau abaixo.
Adoptou que a completude de uma vida passa sempre pelo binómio homem/mulher.
Crê firmemente que é força de carácter o que é teimosia e considera modéstia o que não são mais que fraquezas… e há as ocasiões em que lhes troca a ordem.

O Nokia dá aquele dingue dingue característico da chegada de sms.
Maria d’Abreu Ferrão lê:
“És a mulher da minha vida. Amo-te muito.António Joaquim”

Aquilo é como dar milho aos pombos, calçar tamancas, zunido da quebra de pau de giz durante a escrita.
Azucrina-se, entrega-se ao desvario…

Decidida! Certinho e direitinho que o foco da sua atenção vai incidir sobre militar na reserva; profissional de saúde não realizado; advogado amante de causas perdidas; reformado com olhos de ver por dentro e coração de tic-toc-tic-toc;
e um canalizador;
a torneira da cozinha não pára de pingar.
(anseia uma noite de silêncio descompassado)

E uma semana passou.
Rastreando com (um) foco... Ai, só o gotejar se mantém!

E o Nokia dá aquele dingue dingue característico da chegada de sms.
Maria d’Abreu Ferrão lê:
“És a mulher da minha vida. Amo-te muito. António Joaquim”

Palpita (n)o peito… um calorzito… um tem que não tem… um desajeito mimado…
… moem-lhe as entranhas por um canalizador... é certo...
agora, que o botão do autoclismo, emperrou.
(imagem da net)

domingo, 27 de junho de 2010

Trá-lá-riiiii…. Trá-lá-riiiii….

Até Novembro está a ser apresentado um ciclo de música de câmara no Centro de Arte Manuel de Brito – Palácio dos Anjos em Algés.
Não sendo zona que frequente, nem área da minha residência, tenho assistido com alguma regularidade a estes concertos por convite de pessoa amiga que habita no concelho.
O bilhete de acesso tem um valor máximo de 2 euros e permite também visitar quaisquer das exposições que estejam no Palácio… no momento, Graça Morais está lá!
Cada concerto é apresentado e comentado por Alexandre Delgado que certamente uma ou outra vez ouviram na Antena 2 e tem a particularidade de nos entusiasmar tanto quanto ele próprio o está… e ao vivo gesticula qual italiano a comer bella pasta!

Anteontem foi a vez do canto. Um ciclo de canções.
Ana Ester Neves – Soprano
Luís Rodrigues – Barítono
João Paulo Santos – ao piano
… e uma sala com não mais que setenta pessoas, assim, meio intimista, com os concertistas ali à nossa beira.

Se quiserem algo diferente ao corre-corre do dia a dia …. todas as últimas sextas-feiras de cada mês, apareçam.

E hoje, continuando a missão de “Boletim Informativo” …

Dlim…Dlim…Dlom

No Largo do S. Carlos de 26 de Junho a 26 de Julho.
Tal como no ano passado, espero noites muito bem passadas....

“Festival ao Largo”
Programação

Muita travessia eu vou fazer do Tejo….. ao Tejo....

domingo, 20 de junho de 2010

Quando o coche é uma abóbora….

Neste reino, de si coxo, em que a rainha segura duas coroas, desde que o rei foi levado no remoinho de uma madrugada, ora fria, ora quente.

… quando as fronteiras do reino estão definidas, algumas conquistas seguras e supostamente chega o usufruir de subir à torre de menagem e olhar embevecida o príncipe herdeiro no seu reino além.
… quando a espada é colocada no colo.
… quando a capa do tempo, dá o tempo para a rainha desenhar-se no espelho.

Eis que os ciclos do reino se quebram!
Os relógios anunciam-se a girar ao contrário…..

Revolver-se.
Recomeçar.
Sabe a rainha cozer meias, fazer açorda, lavar chão, cantarolar no corredor do supermercado e ao subir a Avenida da Liberdade….
mas agora, que já não na flor da idade, desejava a banalidade de uma mordomia.

Algum dia lhe vai tocar uma nuvem azul celeste ou uma bola multicor?

terça-feira, 8 de junho de 2010

Historietas….

Tiolobinda, já está enfadada com a rotina da ida à Cinemateca sexta-feira à noite.
Irra…para o encanto dos frequentadores assíduos!
E a juventude com laivos tão particulares que por lá aparece, neste momento perderam-lhe a graça.
E os filmes!
Necessita-se de um intervalo.
Por vezes, Tiolobinda guarda na caixinha as “jóias” para o advir… sabe-o breve.

…………………………………………….

Lindaura Esteves, esteve este fim de semana no CCB.
Esta moçoila criada na ruralidade, adapta-se ao labirinto das exposições e peças de arte.
Silêncios, multicores, preto e branco, non-sense.
… provavelmente, a envolvente dos jardins e do Tejo lhe apazigúem os gostos eclécticos e insatisfeitos….

…………………..

Quatro dias de folga no trabalho profissional de Maria das BemAventuranças.
Fazer obras no convento.
- Benfeitorias; tarefas humildes; curas à alma; expurgos ao corpo; calendarização de ofícios; participação em novenas.
…se proveitosos estes dias, Maria das BemAventuranças, Abadessa e noviça do convento, tomará o nome de Alexandrina BrilhaAinda.

domingo, 30 de maio de 2010

Quando o nariz se junta aos joelhos....


ADIAMENTO

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...
(Álvaro de Campos)


Estava este poema, num papelzinho amachucado... entre uma camisola de lã e um blusão de cabedal preto.
Cheiro a erva-doce....

domingo, 23 de maio de 2010

Ser ou não ser.... também, minha a questão!

D. Maria Gustava, sobe a rua no seu passo lento e pesado.
- O vício da bica das 11h, diz ela.
Hoje, não tem a companhia do marido.
O Eng. Prazeres é presença semana sim… semana não. Semana com ela, semana com a costureira do bairro de Alfama.
Nem enganos, nem ilusões. Contrato aceite pelas três partes.
Na semana sim da D. Maria Gustava, vejo-os de mãos dadas, entre eles um netinho… riem e sobem a rua.
Dias de um amor e bica das 11h…


E assim, a condição de ser feliz é... serenamente aceitar e não questionar.

Simples...
... não fora em mim habitar um mafarrico sussurrante.

Nerina-Arcimboldo