domingo, 22 de agosto de 2010

Remexendo....

Rasga e deita fora.
Esvazia.
.... estou, a criar espaço para o Ser.

Entre tantos papéis, um cartão impresso.
Vai ficar aqui, pregado com um alfinete na cortina, até que....

“Si pudiera vivir nuevamente mi vida.
En la próxima trataría de cometer más errores.
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.
Sería más tonto de lo que he sido, de hecho tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Sería menos higiénico.
Correría más riesgos, haría más viajes, contemplaría más entardeceres, subiría más montañas, nadaría más ríos.
Iría a más lugares adonde nunca he ido, comeríamás helados y menos habas, tendría más problemas reales y menos imaginarios.
Yo fuí una de esas personas que vivió sensata y prolíficamente cada minuto de su vida; claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás trataría de tener solamente buenos momentos. Por si no lo saben, de eso está hecha la vida, sólo de momentos; no te pierdas el ahora.
Yo era uno de esos que nunca iban a ninguna parte sin un termómetro, una bolsa de agua caliente, un paraguas y un paracaídas; si pudiera volver a vivir, viajaría más liviano.
Si pudiera volver a vivir comenzaría a andar descalzo a principios de la primavera y seguiría así hasta concluir el otoño.
Daría más vueltas en calesita, contemplaría más amaneceres y jugaría con más niños, si tuviera otra vez la vida por delante.
Pero ya ven, tengo 85 años y sé que me estoy muriendo.”
(Jorge Luis Borges)

domingo, 1 de agosto de 2010

Trincando, fatias de melancia….

Aqui há mar bravo.
Ondas com espuma e sal.
Há os campos férteis das cenouras, das batatas pequenas e bem redondas, das cebolinhas.
Das árvores de fruto com peras, com ameixas, com maçãs “riscadinhas”.
Do chão de terra pejado de melancias verdes escuro… tão doces quanto o vermelho.


Há bichos.
Os do campo.
Os da mata.
Há girassóis.
Barulhos que nascem só da noite.
Pássaros… piu, piu, piu… de manhã.


Não há o vaivém dos passos, das rodas.
Não há gente... há um ou outro, além.


Desligada, provavelmente nada acrescentando à minha genuína ignorância.
Dez dias só eu e as lembranças.


E água fresca com café e rodelas de limão.


(Imagem da net)

domingo, 18 de julho de 2010

Amanhã, inauguração da época balnear…. Nadar…. Nadar… Nadar...


No blogue Crónicas do Rochedo, o Carlos lançou um passatempo com a reprodução de postais de férias – aqueles postais do correio que aqui à uns anos eram habitualmente usados para com duas ou três frases e uma imagem característica, contactar os familiares e amigos – achei a ideia muito interessante.
E aqui estou a participar no desafio.


Este é um postal que entre outros, viajou numas férias até ao Rio de Janeiro.

Foi levado na bagagem do meu pai e de uns primos, numa ida ao Brasil para conhecerem familiares originários daquele país.
Serviu para mostrar como era a cidade onde a família portuguesa vivia – o Porto.
Este postal, sabe-se lá porquê, veio de volta e foi guardado por um tio meu.
Agora eu a fiel depositária….. das memórias....

domingo, 11 de julho de 2010

Uma caipirinha fresquinha por uma palhinha.... com verdades à sombra de frondosas petas.

Olhou os pés.
Nas unhas o verniz vermelho vivo estava estratificado ou antes estava um vermelho vivo desleixado.
Desfez e refez o verniz, em vermelho fogo, rouge passion.

No espelho… o cabelo, ponta maior a tocar os ombros, as repas na testa.
A tesoura afiada do “Magica’s Cabeleireiros” reduz as melenas ao tamanho de alfinetes.

Maria d’Abreu Ferrão, fez cinquenta anos.
Vai dar a volta final, o meio giro que falta em torno do próprio eixo.
Diz que esta é a volta da revolta do sabão, do tudo limpinho.

Conhece-se mal. Sabe de si, pouco.
Esteve à beira de ter aquilo que dizem ser “tudo”.
Interiormente vive num degrau acima ou num degrau abaixo.
Adoptou que a completude de uma vida passa sempre pelo binómio homem/mulher.
Crê firmemente que é força de carácter o que é teimosia e considera modéstia o que não são mais que fraquezas… e há as ocasiões em que lhes troca a ordem.

O Nokia dá aquele dingue dingue característico da chegada de sms.
Maria d’Abreu Ferrão lê:
“És a mulher da minha vida. Amo-te muito.António Joaquim”

Aquilo é como dar milho aos pombos, calçar tamancas, zunido da quebra de pau de giz durante a escrita.
Azucrina-se, entrega-se ao desvario…

Decidida! Certinho e direitinho que o foco da sua atenção vai incidir sobre militar na reserva; profissional de saúde não realizado; advogado amante de causas perdidas; reformado com olhos de ver por dentro e coração de tic-toc-tic-toc;
e um canalizador;
a torneira da cozinha não pára de pingar.
(anseia uma noite de silêncio descompassado)

E uma semana passou.
Rastreando com (um) foco... Ai, só o gotejar se mantém!

E o Nokia dá aquele dingue dingue característico da chegada de sms.
Maria d’Abreu Ferrão lê:
“És a mulher da minha vida. Amo-te muito. António Joaquim”

Palpita (n)o peito… um calorzito… um tem que não tem… um desajeito mimado…
… moem-lhe as entranhas por um canalizador... é certo...
agora, que o botão do autoclismo, emperrou.
(imagem da net)

domingo, 27 de junho de 2010

Trá-lá-riiiii…. Trá-lá-riiiii….

Até Novembro está a ser apresentado um ciclo de música de câmara no Centro de Arte Manuel de Brito – Palácio dos Anjos em Algés.
Não sendo zona que frequente, nem área da minha residência, tenho assistido com alguma regularidade a estes concertos por convite de pessoa amiga que habita no concelho.
O bilhete de acesso tem um valor máximo de 2 euros e permite também visitar quaisquer das exposições que estejam no Palácio… no momento, Graça Morais está lá!
Cada concerto é apresentado e comentado por Alexandre Delgado que certamente uma ou outra vez ouviram na Antena 2 e tem a particularidade de nos entusiasmar tanto quanto ele próprio o está… e ao vivo gesticula qual italiano a comer bella pasta!

Anteontem foi a vez do canto. Um ciclo de canções.
Ana Ester Neves – Soprano
Luís Rodrigues – Barítono
João Paulo Santos – ao piano
… e uma sala com não mais que setenta pessoas, assim, meio intimista, com os concertistas ali à nossa beira.

Se quiserem algo diferente ao corre-corre do dia a dia …. todas as últimas sextas-feiras de cada mês, apareçam.

E hoje, continuando a missão de “Boletim Informativo” …

Dlim…Dlim…Dlom

No Largo do S. Carlos de 26 de Junho a 26 de Julho.
Tal como no ano passado, espero noites muito bem passadas....

“Festival ao Largo”
Programação

Muita travessia eu vou fazer do Tejo….. ao Tejo....

domingo, 20 de junho de 2010

Quando o coche é uma abóbora….

Neste reino, de si coxo, em que a rainha segura duas coroas, desde que o rei foi levado no remoinho de uma madrugada, ora fria, ora quente.

… quando as fronteiras do reino estão definidas, algumas conquistas seguras e supostamente chega o usufruir de subir à torre de menagem e olhar embevecida o príncipe herdeiro no seu reino além.
… quando a espada é colocada no colo.
… quando a capa do tempo, dá o tempo para a rainha desenhar-se no espelho.

Eis que os ciclos do reino se quebram!
Os relógios anunciam-se a girar ao contrário…..

Revolver-se.
Recomeçar.
Sabe a rainha cozer meias, fazer açorda, lavar chão, cantarolar no corredor do supermercado e ao subir a Avenida da Liberdade….
mas agora, que já não na flor da idade, desejava a banalidade de uma mordomia.

Algum dia lhe vai tocar uma nuvem azul celeste ou uma bola multicor?

terça-feira, 8 de junho de 2010

Historietas….

Tiolobinda, já está enfadada com a rotina da ida à Cinemateca sexta-feira à noite.
Irra…para o encanto dos frequentadores assíduos!
E a juventude com laivos tão particulares que por lá aparece, neste momento perderam-lhe a graça.
E os filmes!
Necessita-se de um intervalo.
Por vezes, Tiolobinda guarda na caixinha as “jóias” para o advir… sabe-o breve.

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Lindaura Esteves, esteve este fim de semana no CCB.
Esta moçoila criada na ruralidade, adapta-se ao labirinto das exposições e peças de arte.
Silêncios, multicores, preto e branco, non-sense.
… provavelmente, a envolvente dos jardins e do Tejo lhe apazigúem os gostos eclécticos e insatisfeitos….

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Quatro dias de folga no trabalho profissional de Maria das BemAventuranças.
Fazer obras no convento.
- Benfeitorias; tarefas humildes; curas à alma; expurgos ao corpo; calendarização de ofícios; participação em novenas.
…se proveitosos estes dias, Maria das BemAventuranças, Abadessa e noviça do convento, tomará o nome de Alexandrina BrilhaAinda.