sábado, 30 de outubro de 2010

Assim, tão simples...

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Quem és tu para me julgar, lambisgóia?

Porventura, sabes que tropecei numa pedra e cai num ribeiro com remoinhos, enquanto tu andavas às violetas?
Bebi tinta da china, enquanto tu tinhas braços às voltas nos teus lindos ombros?

Hoje, apanhei um pombo de asa quebrada.
Enfiei-o entre a camisola e o peito.

Comi gomas no Chinês. E comprei um pacote de leite.
O tempo adoeceu-me.

Lambisgóia, tu não sabes nada de mim!!


[Mais ou menos um monólogo de:
Emília Guerreiro, uma sem abrigo
Praça da Ribeira, Lisboa
Sexta-feira, 29/10/2010, pela noite dentro…]

(imagem da net)

domingo, 10 de outubro de 2010

Transpiração…

2.47h da madrugada.
Gotas do suor a correr.
Cheiro que cheira-me.
Pernas em quatro ou em oito. Ou será em dezasseis ou vinte e um...
Recosto voluptuoso é a aduela da porta (da cozinha) .

- Fritos são, 102 croquetes.
- Descascados 8 kg de batatas miudinhas.
- Pelados 2,275 kg de tomate.
- Casca tirada a 4 réstias de cebolas.
- Esborrachados 24 alhos roxos.
- Batidos 35 ovos.
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15 Sopas de grão com massinha pevide
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12 Refogados puxadinhos
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Trivialidades, pois sim.


Assobiando ……… Assobiando ………………………………..


Concluindo:
Quando não há inspiração, resta a transpiração.
Acima o texto(?) escrito, resulta do que mais não é que faltar-me verve.
Aquela fase de eclipse, do niente, do “nã sai nada”… por mais que chocalhe, torça ou dê palminha na base, como no frasco do ketchup.

.... Ainda “dá” mais umas linhas (transpirando....)


Re-..... Assobiando de mãos nos bolsos ………………………


- Emocionar com as flores miudinhas amarelas;
- Saudades de berlindes e abafas;
- Devaneio da gula pelas queijadas de Sintra;
- Uns dois ou três, dos cinco sentidos vão para cacos;
- Gostar de pormenores tanto quanto de pessoas fora de época;


(Isto está bonito, tá!!!...)

Uma boa semana

domingo, 26 de setembro de 2010

Básicamente.... encaixes!

Quando haviam reparações, pinturas, benfeitorias em casa… lá andava eu “coladinha” ao pai.
Desde pequena que mexo em chaves de parafusos, serrotes, alicates, berbequim, pregos, lixas, etc.
Rolos, pincéis, tintas de água e sintéticas, diluentes - tudo passou pelas minhas mãos.

No entanto, algures num recôndito canto (meus amigos, não sei onde se situa o dito, portanto, não dá para ir lá e escovar o possível “lixo”) habita uma bandeirinha que diz assim:
“Homem é naturalmente dotado para o lado estratégico da vida.
Tem espada ---> Vai à guerra/ Ganha a guerra.
Tal como:
Tem ferramenta ---> Não há o objecto/ Faz o objecto.

Preciso de uma estante com quatro prateleiras.

Ora… não há homem.

Há o eu … decidida a bricolage e ferramenta.
Há o Ikea… sueco deslavado, em pedaços e encaixotado.

E eis:

“Ai que prazer
Ter sido eu a fazer,
Ter um livro para ler
E colocá-lo com prazer
Numa das prateleiras,
aparafusadas bem ou mal.
Esta, a minha edição original.
E vem até uma brisa que cheira,
A uma quase não dor de domingo
Sem a pressa da nostalgia traiçoeira...
..."

Adaptei-me ao poema do Fernando Pessoa.

domingo, 19 de setembro de 2010

Na época do não bem-bom....

Rioblinda está no centro do círculo, com um foco de luz.

Move o braço direito e desabam mentiras e tretas.
Eleva o braço esquerdo e apanha chuva miudinha, molha muito, de egoísmos e perfídias.
Põe-se em bicos de pés e tropeça nas rasteiras.

Caem-lhe agulhas de ponta fina por todos os lados.

Ó tonta Rioblinda que não sabes lidar com estas luzes da ribalta!
Enrosca-te, meditativa, sossegadinha.... e depois de fininho, ou num rompante, some-te do centro desse círculo.

(Imagem da Net)

E ................................ há por aí Rioblindas?

domingo, 5 de setembro de 2010

A porta para Jumandu

Era a porta, a única porta que me levava a Jumandu.
Ao princípio fechada, depois ganhei-lhe a chave.
Mais tarde, a fechadura quebrada…

E no começo ir a Jumandu era clandestino, era o“salto”. Fui a Jumandu!
As idas de ocasião a Jumandu.
O coração num baque. O até imaginar que sentia a alma.

Depois, na minha mão a chave da porta… abre-se quando se pode e fecha-se quando se quer.
Jumandu, já não tem o mesmo Sol da manhã nem a mesma caruma do mato.
Mas alimenta todos os meus sonhos.

Chave gira, chave roda para a direita para a esquerda e não tranca e não destranca.
Fechadura frouxa na porta para Jumandu.
É o entra e sai ….
Jumandu rotina, ora amarela, ora cinza, não azul.
Abro e fecho ao olhos, tapo e destapo os ouvidos... brota fio de água salgada.

Saio a correr de Jumandu. E volto a correr para Jumandu.

Hoje, acordei muito cedo.
Desmanchei a porta para Jumandu.
Não vou mais a Jumandu.

(Imagem da Net)

domingo, 22 de agosto de 2010

Remexendo....

Rasga e deita fora.
Esvazia.
.... estou, a criar espaço para o Ser.

Entre tantos papéis, um cartão impresso.
Vai ficar aqui, pregado com um alfinete na cortina, até que....

“Si pudiera vivir nuevamente mi vida.
En la próxima trataría de cometer más errores.
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.
Sería más tonto de lo que he sido, de hecho tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Sería menos higiénico.
Correría más riesgos, haría más viajes, contemplaría más entardeceres, subiría más montañas, nadaría más ríos.
Iría a más lugares adonde nunca he ido, comeríamás helados y menos habas, tendría más problemas reales y menos imaginarios.
Yo fuí una de esas personas que vivió sensata y prolíficamente cada minuto de su vida; claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás trataría de tener solamente buenos momentos. Por si no lo saben, de eso está hecha la vida, sólo de momentos; no te pierdas el ahora.
Yo era uno de esos que nunca iban a ninguna parte sin un termómetro, una bolsa de agua caliente, un paraguas y un paracaídas; si pudiera volver a vivir, viajaría más liviano.
Si pudiera volver a vivir comenzaría a andar descalzo a principios de la primavera y seguiría así hasta concluir el otoño.
Daría más vueltas en calesita, contemplaría más amaneceres y jugaría con más niños, si tuviera otra vez la vida por delante.
Pero ya ven, tengo 85 años y sé que me estoy muriendo.”
(Jorge Luis Borges)

domingo, 1 de agosto de 2010

Trincando, fatias de melancia….

Aqui há mar bravo.
Ondas com espuma e sal.
Há os campos férteis das cenouras, das batatas pequenas e bem redondas, das cebolinhas.
Das árvores de fruto com peras, com ameixas, com maçãs “riscadinhas”.
Do chão de terra pejado de melancias verdes escuro… tão doces quanto o vermelho.


Há bichos.
Os do campo.
Os da mata.
Há girassóis.
Barulhos que nascem só da noite.
Pássaros… piu, piu, piu… de manhã.


Não há o vaivém dos passos, das rodas.
Não há gente... há um ou outro, além.


Desligada, provavelmente nada acrescentando à minha genuína ignorância.
Dez dias só eu e as lembranças.


E água fresca com café e rodelas de limão.


(Imagem da net)