quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Abrem-se as janelas....

Agora, que a época é para reflexão e balanço.
Tenho um baraço na memória.

Olhar o que passou e com lápis e folha de papel desenhar um projecto.
E eu com um baraço nas mãos e nos olhos.

Quando, supostamente é para deixar para trás ou deitar fora os cacos, para um início sem apegos, carrego as “gavetas desarrumadas”, os “livros abertos”, as “frases começadas”, as “ideias perras”.
E um baraço no meu querer.

Virá o tempo, que não o do calendário em que o baraço desata.

Não sou capaz de mais que desejar-vos um 2010 cheio de Esperança.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Os meus postais de Natal

Este fim de semana ao folhear um álbum de fotografias da minha infância, tive uma ideia (viciei-me em ter ideias...).

Vocês são importantes para mim, fazem parte da minha esfera redondinha.
Não conheço a maioria, mas a minha imaginação é como um corcel, corre, galopa e até é alada… voa!!!
Assim, faço-vos o “desenho” ... isto é, tento!

Então...

Tcham…
Tacham…
TachamTTTacham!!!!

A modos como um mimo de Natal, para cada um de vós...
… deixo-vos uma fotografia de quando eu era pequenina, com uma qualquer particularidade, que eu, por um meu qualquer click, identifico convosco.

Clicar em "Veja Todas as Imagens"



LEGENDA
1 - Albino (Poliedro)
2 – Arábica (Em pequenas doses)
3 – Augusto (Um entre mil)
4 – Des-encantos
5 – Herético (Relógio de Pêndulo)
6 – Justine (Quarteto de Alexandria)
7 – Legível (Papel de Fantasia)
8 – Lilá(s) (Perfume de Jacarandá)
9 – Lis (Flor de Lis)
10 – Magia da Noite
11 – Maria Teresa (Beijinhos embrulhados)
12 – Mfc (Pé de meia)
13 – Nilson (NimbyPolis)
14 – Observador (Reflexos)
15 – São (São)
16 - Sara (Carpe Diem)
17 - Senhora (Guerra do Travesseiro)
18 – Teresa (os meus óculos do mundo)
19 – Teresa (continuando assim)
20 – TP (coisas do arco-da-velha)
21 - Vicktor (Oficina das Ideias)
22 - Vieira Calado (Poesia de..)
23 – … para todos que uma ou outra vez vieram até aqui!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Porque amanhã é 2ª feira…

Por dentro...
A inquietude do vai-vem da minhoca entre o estômago e a barriga.
O matraquear das tenazes do caranguejo, junto ao tic-tac do coração.
Nos pulmões, o gato que aperta os bofes.

Por dentro, do de fora...
A jarra de vidro a cair, quasi a desfazer-se em pedaços e que continua suspensa no ar a dois palmos do desejado estilhaçar.
O nó frouxo que ata, que não une nem sufoca mas amarra.

Mais por dentro, do por dentro...
Um mergulho profundo e longo que se deseja até depois de amanhã.
Emergir em outras águas.



Ou
glup..
…glup….
….gluuuup…
glup!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Uma praga...

Não gosto dos sacos de plástico, tipo supermercado.

Abro o porta-bagagem e... orelhudos lá estão eles a ocupar todo o espaço.

… ou se pende para o lado direito por causa de um deles, que é azul é está bem cheio…
… ou se descai para o lado esquerdo, por causa de um que é rosa com letras gorduchas, de mais um amarelito pálido quase a esvair-se e de mais um outro, branco com uns borrões de tinta a anunciar que o melhor do mundo está ali…
… ou então, qual fiel de balança, tentamos o equilíbrio entre os delambidos dos ditos cujos, sempre orelhudos, sempre deformados, sempre engelhados, sempre com aquele barulhinho irritante do ptchi… ptchi… ptchi…. qrichhhhhhhh… terrekkkk…..

E ainda gosto menos deles, depois.

Inteiros ou pedaços, esvoaçam pelas ruas.
Agarram-se que nem lapas nos passeios.
Há sempre um que se enrosca em nós.

Enchem-nos deles, dão-nos sacos de plástico que duram, duram, duram..........

Algures da Net....

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Basicamente fêmea ou fêmea básica!?

Espreguiço-me.
Levanto-me.

Corro a persiana do quarto… Sol!
Corro as persianas de casa… Sol!

Na cozinha, ao primeiro golo de café…
… as refeições, salgadas e doces; o aspirar; o limpar cada canto ao pormenor para ficar aquele cheiro agradável a limpo; o arrumar as gavetas; o organizar os roupeiros; talvez o mudar o lugar dos sofás; na entrada, subtrair-lhe as decorações.

O envidraçado da sala deixa que o céu como que se sobreponha na mesa. Sento-me a comer o pão com manteiga…
… hoje, não é aqui, no ninho, é lá no azul.

Duche, a muitos graus; o champô, a máscara para o cabelo; os vinte minutos de água a correr-me; o hidratante de aroma.
Olho-me, no espelho:
Não às pinturas de guerra.
Apanho o cabelo, com os dois pauzinhos japoneses.

Camisola, ganga, botas.

Na mala… duas maças verdes e ácidas, garrafa de água, pão de sementes, queijo; caderno, lápis e “Corpo Presente” de Anne Enright

Saio a porta da rua.
Duas marrafas de cabelo caem-me sobre os olhos. Tenho uma relação quezilenta com o meu cabelo desde sempre. Volto atrás e enfio uma boina.

Rua…Rua…
Tejo…Belém…verde erva

Sento-me e leio. Faço intervalos constantes para olhar sem ver, para escutar.
Estico-me na relva. Beliscam-me os pensamentos, o passado, os voos, os suponhamos.

Caminho e piso poças de água da chuva… salpico as calças.

Gosto de piqueniques. Gosto também deste piquenique assim, sozinha.
Tenho a extensão de um rio à minha frente.

Rabisco no meu caderno, linhas rectas, curvas, traços grossos, floreados, escrevo ideias, desenho olhos e barcos.

Está a chegar a brisa e a nuvem.
Depois a noite e os pontos de luz.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Eis-me "L"...... narradora/personagem em Love de Toni Morrison



Sábado, almoço num restaurante em Lisboa.
Fico junto à janela decorada com uma série de luzes de Natal em forma de bolinhas brancas.
Um expert olhou-as e disse:
- Luzes de iluminação fria!!!
E eu ali tão perto, testei.
(Sim luzes! Sim acesas! Sim frias!)
Interroguei:
- Como assim?
O expert:
- Se tivermos esta iluminação de Natal em casa e formos cuidadosos, dura uma vida inteira (ipsis verbis)

STOP.

E o almoço, a acontecer...
Prato, garfada, golada... e a iluminação de Natal que “dura uma vida inteira”....
Janela, luzes a piscar, gente lá fora… e os carinhos, os afectos, o AMOR, que os expert não lembram de cuidar para durar nem mais que uma iluminação quente ......

Saio.

Vou à Biblioteca Nacional ver a exposição “ A expulsão dos jesuítas dos domínios Portugueses”.

Saio.

De volta, no cacilheiro.....


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A bola…

Era grande e com gomos de várias cores.
Eu tinha 4 anos, foi a minha primeira bola e não lembro de ter outra.
Perdeu-se ou finou-se, não sei.
Sei que, redondinha, colorida ou a preto e branco, “a bola” continua comigo… saltita à minha volta

... agarro-a junto ao peito (o aconchego)

... lanço-a ao ar e apanho-a (o caminho)

... atiro-a para bem longe e foge-me (o jogo)

... pontapeio-a (o arre!!!)

... Está debaixo do meu braço direito, quando estou confiante!

... Tenho-a segura no equilíbrio instável da minha mão esquerda….

A minha bola tem sabores e cheiros.
A minha bola tem cristais, trevas, deuses, demónios.

A minha bola é molinha mas também pedra dura.

A minha bola é azul… é vermelha….