Sobre José Saramago sempre me manifestei na forma de “afinador de silêncios”.
Pouca a minha empatia pessoal e quanto à sedução pela escrita como que imposta pela qualidade.
Como tudo que não me empolga e que pode até mover meio mundo, enquanto assim, eu “afino silêncios”.
Uma prenda de Natal, Caim
Li, Caim
Rendo-me, perante a obra.
A escrita envolvente, a análise factual, aceitando-se ou não, é sem dúvida, perfeito de contundente, este livro.
O final com Caim a discutir com Deus causas, efeitos, castigos… ad aeternum assim há-de ser, o homem fora do jardim de éden.
Viva a Eva!
Enquanto leio e dos livros que li, sou meia saltimbanco, meia malabarista, estou sempre a fazer pontes e dar saltos entre as leituras e a vida.
Avé Saramago que me fizeste estar mais atenta para que tanto posso ser Caim como Deus.
"Eles" andam por aqui....
São 19.30h e o fim de um dia com trabalho até um palmo acima da minha cabeça. O estado de espírito é de “locomotiva”.
No hipermercado, vou ao balcão da peixaria. Estão duas pessoas. Decido não tirar senha.
Chega a minha vez, digo à empregada - “Vai-me atender, é a minha vez”
…momento em que por obra e graça, sinto um friozinho e plim! viro Caim! (acontece aos mortais).
No canto esquerdo, oiço uma voz – “Não gosto daquela forma arrogante de falar. Daí valha-me a minha senha. Eu primeiro (mesmo sendo eu depois..) !!!
… momento em que uma fulana igualzinha a mim, dá-lhe um plim! e vira Deus!!! (acontece aos mortais)
Olhei-a, humilde, pecadora.
Não me olhou, olhou o parceiro e justificou-lhe o porquê do meu castigo.
Fiquei Caim.
Ela saiu Deus.
Torce… destorce …
Arruma, direitinho!
domingo, 24 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
Ao pequeno almoço....
Eleanora, disse:
… sei tão pouco de cinema, podia estar mais atenta e após ver um filme, pesquisar um nome ou um acontecimento relacionado com a história.
… ler os clássicos que me faltam e não andar aqui a saltar entre o que me dá na real gana, que tanto pode ser o policial de ontem, como o de sociologia que estou a ler hoje.
… na pintura, na música clássica, na dança, sei o básico e desde que os meus sentidos sintam “sininhos tilintar”, já me encanto.
Eleanora, suspirou:
… pois, mas falta-me o discurso!
E Eleanora, disse mais:
… O que me fascina ouvir-lhes os saberes... como me atrai o conhecer.
… E não pudera eu, pegar numa ponta única do meu tempo e completar-me, preencher-me com esta sabedoria dos livros, das artes?
Eleanora demorou. E depois disse:
O meu lado de fêmea, a minha sensualidade feminina ocupa espaço, tempo, no meu todo.
Não posso, não quero, não abdico de ser, de ter
… o meu lado curva e contracurva
… o meu maneio
… o meu lado mimoso
… a minha pele
… o meu espelho
... o meu decote
Sob pena de me descaracterizar
Seja EU!!!
Eleanora, pousou a chávena de café com leite, sorriu e disse:
… este meu triliar, vai dar “cocó"!!!
… sei tão pouco de cinema, podia estar mais atenta e após ver um filme, pesquisar um nome ou um acontecimento relacionado com a história.
… ler os clássicos que me faltam e não andar aqui a saltar entre o que me dá na real gana, que tanto pode ser o policial de ontem, como o de sociologia que estou a ler hoje.
… na pintura, na música clássica, na dança, sei o básico e desde que os meus sentidos sintam “sininhos tilintar”, já me encanto.
Eleanora, suspirou:
… pois, mas falta-me o discurso!
E Eleanora, disse mais:
… O que me fascina ouvir-lhes os saberes... como me atrai o conhecer.
… E não pudera eu, pegar numa ponta única do meu tempo e completar-me, preencher-me com esta sabedoria dos livros, das artes?
Eleanora demorou. E depois disse:
O meu lado de fêmea, a minha sensualidade feminina ocupa espaço, tempo, no meu todo.
Não posso, não quero, não abdico de ser, de ter
… o meu lado curva e contracurva
… o meu maneio
… o meu lado mimoso
… a minha pele
… o meu espelho
... o meu decote
Sob pena de me descaracterizar
Seja EU!!!
Eleanora, pousou a chávena de café com leite, sorriu e disse:
… este meu triliar, vai dar “cocó"!!!
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Abrem-se as janelas....
Agora, que a época é para reflexão e balanço.
Tenho um baraço na memória.
Olhar o que passou e com lápis e folha de papel desenhar um projecto.
E eu com um baraço nas mãos e nos olhos.
Quando, supostamente é para deixar para trás ou deitar fora os cacos, para um início sem apegos, carrego as “gavetas desarrumadas”, os “livros abertos”, as “frases começadas”, as “ideias perras”.
E um baraço no meu querer.
Virá o tempo, que não o do calendário em que o baraço desata.
Não sou capaz de mais que desejar-vos um 2010 cheio de Esperança.
Tenho um baraço na memória.
Olhar o que passou e com lápis e folha de papel desenhar um projecto.
E eu com um baraço nas mãos e nos olhos.
Quando, supostamente é para deixar para trás ou deitar fora os cacos, para um início sem apegos, carrego as “gavetas desarrumadas”, os “livros abertos”, as “frases começadas”, as “ideias perras”.
E um baraço no meu querer.
Virá o tempo, que não o do calendário em que o baraço desata.
Não sou capaz de mais que desejar-vos um 2010 cheio de Esperança.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Os meus postais de Natal
Este fim de semana ao folhear um álbum de fotografias da minha infância, tive uma ideia (viciei-me em ter ideias...).
Vocês são importantes para mim, fazem parte da minha esfera redondinha.
Não conheço a maioria, mas a minha imaginação é como um corcel, corre, galopa e até é alada… voa!!!
Assim, faço-vos o “desenho” ... isto é, tento!
Então...
Tcham…
Tacham…
TachamTTTacham!!!!
A modos como um mimo de Natal, para cada um de vós...
… deixo-vos uma fotografia de quando eu era pequenina, com uma qualquer particularidade, que eu, por um meu qualquer click, identifico convosco.
Clicar em "Veja Todas as Imagens"
LEGENDA
1 - Albino (Poliedro)
2 – Arábica (Em pequenas doses)
3 – Augusto (Um entre mil)
4 – Des-encantos
5 – Herético (Relógio de Pêndulo)
6 – Justine (Quarteto de Alexandria)
7 – Legível (Papel de Fantasia)
8 – Lilá(s) (Perfume de Jacarandá)
9 – Lis (Flor de Lis)
10 – Magia da Noite
11 – Maria Teresa (Beijinhos embrulhados)
12 – Mfc (Pé de meia)
13 – Nilson (NimbyPolis)
14 – Observador (Reflexos)
15 – São (São)
16 - Sara (Carpe Diem)
17 - Senhora (Guerra do Travesseiro)
18 – Teresa (os meus óculos do mundo)
19 – Teresa (continuando assim)
20 – TP (coisas do arco-da-velha)
21 - Vicktor (Oficina das Ideias)
22 - Vieira Calado (Poesia de..)
23 – … para todos que uma ou outra vez vieram até aqui!
Vocês são importantes para mim, fazem parte da minha esfera redondinha.
Não conheço a maioria, mas a minha imaginação é como um corcel, corre, galopa e até é alada… voa!!!
Assim, faço-vos o “desenho” ... isto é, tento!
Então...
Tcham…
Tacham…
TachamTTTacham!!!!
A modos como um mimo de Natal, para cada um de vós...
… deixo-vos uma fotografia de quando eu era pequenina, com uma qualquer particularidade, que eu, por um meu qualquer click, identifico convosco.
Clicar em "Veja Todas as Imagens"
LEGENDA
1 - Albino (Poliedro)
2 – Arábica (Em pequenas doses)
3 – Augusto (Um entre mil)
4 – Des-encantos
5 – Herético (Relógio de Pêndulo)
6 – Justine (Quarteto de Alexandria)
7 – Legível (Papel de Fantasia)
8 – Lilá(s) (Perfume de Jacarandá)
9 – Lis (Flor de Lis)
10 – Magia da Noite
11 – Maria Teresa (Beijinhos embrulhados)
12 – Mfc (Pé de meia)
13 – Nilson (NimbyPolis)
14 – Observador (Reflexos)
15 – São (São)
16 - Sara (Carpe Diem)
17 - Senhora (Guerra do Travesseiro)
18 – Teresa (os meus óculos do mundo)
19 – Teresa (continuando assim)
20 – TP (coisas do arco-da-velha)
21 - Vicktor (Oficina das Ideias)
22 - Vieira Calado (Poesia de..)
23 – … para todos que uma ou outra vez vieram até aqui!
domingo, 13 de dezembro de 2009
Porque amanhã é 2ª feira…
Por dentro...
A inquietude do vai-vem da minhoca entre o estômago e a barriga.
O matraquear das tenazes do caranguejo, junto ao tic-tac do coração.
Nos pulmões, o gato que aperta os bofes.
Por dentro, do de fora...
A jarra de vidro a cair, quasi a desfazer-se em pedaços e que continua suspensa no ar a dois palmos do desejado estilhaçar.
O nó frouxo que ata, que não une nem sufoca mas amarra.
Mais por dentro, do por dentro...
Um mergulho profundo e longo que se deseja até depois de amanhã.
Emergir em outras águas.
Ou
glup..
…glup….
….gluuuup…
glup!
A inquietude do vai-vem da minhoca entre o estômago e a barriga.
O matraquear das tenazes do caranguejo, junto ao tic-tac do coração.
Nos pulmões, o gato que aperta os bofes.
Por dentro, do de fora...
A jarra de vidro a cair, quasi a desfazer-se em pedaços e que continua suspensa no ar a dois palmos do desejado estilhaçar.
O nó frouxo que ata, que não une nem sufoca mas amarra.
Mais por dentro, do por dentro...
Um mergulho profundo e longo que se deseja até depois de amanhã.
Emergir em outras águas.
Ou
glup..
…glup….
….gluuuup…
glup!
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Uma praga...
Não gosto dos sacos de plástico, tipo supermercado.
Abro o porta-bagagem e... orelhudos lá estão eles a ocupar todo o espaço.
… ou se pende para o lado direito por causa de um deles, que é azul é está bem cheio…
… ou se descai para o lado esquerdo, por causa de um que é rosa com letras gorduchas, de mais um amarelito pálido quase a esvair-se e de mais um outro, branco com uns borrões de tinta a anunciar que o melhor do mundo está ali…
… ou então, qual fiel de balança, tentamos o equilíbrio entre os delambidos dos ditos cujos, sempre orelhudos, sempre deformados, sempre engelhados, sempre com aquele barulhinho irritante do ptchi… ptchi… ptchi…. qrichhhhhhhh… terrekkkk…..
E ainda gosto menos deles, depois.
Inteiros ou pedaços, esvoaçam pelas ruas.
Agarram-se que nem lapas nos passeios.
Há sempre um que se enrosca em nós.
Enchem-nos deles, dão-nos sacos de plástico que duram, duram, duram..........
Abro o porta-bagagem e... orelhudos lá estão eles a ocupar todo o espaço.
… ou se pende para o lado direito por causa de um deles, que é azul é está bem cheio…
… ou se descai para o lado esquerdo, por causa de um que é rosa com letras gorduchas, de mais um amarelito pálido quase a esvair-se e de mais um outro, branco com uns borrões de tinta a anunciar que o melhor do mundo está ali…
… ou então, qual fiel de balança, tentamos o equilíbrio entre os delambidos dos ditos cujos, sempre orelhudos, sempre deformados, sempre engelhados, sempre com aquele barulhinho irritante do ptchi… ptchi… ptchi…. qrichhhhhhhh… terrekkkk…..
E ainda gosto menos deles, depois.
Inteiros ou pedaços, esvoaçam pelas ruas.
Agarram-se que nem lapas nos passeios.
Há sempre um que se enrosca em nós.
Enchem-nos deles, dão-nos sacos de plástico que duram, duram, duram..........
Algures da Net....
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Basicamente fêmea ou fêmea básica!?
Espreguiço-me.
Levanto-me.
Corro a persiana do quarto… Sol!
Corro as persianas de casa… Sol!
Na cozinha, ao primeiro golo de café…
… as refeições, salgadas e doces; o aspirar; o limpar cada canto ao pormenor para ficar aquele cheiro agradável a limpo; o arrumar as gavetas; o organizar os roupeiros; talvez o mudar o lugar dos sofás; na entrada, subtrair-lhe as decorações.
O envidraçado da sala deixa que o céu como que se sobreponha na mesa. Sento-me a comer o pão com manteiga…
… hoje, não é aqui, no ninho, é lá no azul.
Duche, a muitos graus; o champô, a máscara para o cabelo; os vinte minutos de água a correr-me; o hidratante de aroma.
Olho-me, no espelho:
Não às pinturas de guerra.
Apanho o cabelo, com os dois pauzinhos japoneses.
Camisola, ganga, botas.
Na mala… duas maças verdes e ácidas, garrafa de água, pão de sementes, queijo; caderno, lápis e “Corpo Presente” de Anne Enright
Saio a porta da rua.
Duas marrafas de cabelo caem-me sobre os olhos. Tenho uma relação quezilenta com o meu cabelo desde sempre. Volto atrás e enfio uma boina.
Rua…Rua…
Tejo…Belém…verde erva
Sento-me e leio. Faço intervalos constantes para olhar sem ver, para escutar.
Estico-me na relva. Beliscam-me os pensamentos, o passado, os voos, os suponhamos.
Caminho e piso poças de água da chuva… salpico as calças.
Gosto de piqueniques. Gosto também deste piquenique assim, sozinha.
Tenho a extensão de um rio à minha frente.
Rabisco no meu caderno, linhas rectas, curvas, traços grossos, floreados, escrevo ideias, desenho olhos e barcos.
Está a chegar a brisa e a nuvem.
Depois a noite e os pontos de luz.
Levanto-me.
Corro a persiana do quarto… Sol!
Corro as persianas de casa… Sol!
Na cozinha, ao primeiro golo de café…
… as refeições, salgadas e doces; o aspirar; o limpar cada canto ao pormenor para ficar aquele cheiro agradável a limpo; o arrumar as gavetas; o organizar os roupeiros; talvez o mudar o lugar dos sofás; na entrada, subtrair-lhe as decorações.
O envidraçado da sala deixa que o céu como que se sobreponha na mesa. Sento-me a comer o pão com manteiga…
… hoje, não é aqui, no ninho, é lá no azul.
Duche, a muitos graus; o champô, a máscara para o cabelo; os vinte minutos de água a correr-me; o hidratante de aroma.
Olho-me, no espelho:
Não às pinturas de guerra.
Apanho o cabelo, com os dois pauzinhos japoneses.
Camisola, ganga, botas.
Na mala… duas maças verdes e ácidas, garrafa de água, pão de sementes, queijo; caderno, lápis e “Corpo Presente” de Anne Enright
Saio a porta da rua.
Duas marrafas de cabelo caem-me sobre os olhos. Tenho uma relação quezilenta com o meu cabelo desde sempre. Volto atrás e enfio uma boina.
Rua…Rua…
Tejo…Belém…verde erva
Sento-me e leio. Faço intervalos constantes para olhar sem ver, para escutar.
Estico-me na relva. Beliscam-me os pensamentos, o passado, os voos, os suponhamos.
Caminho e piso poças de água da chuva… salpico as calças.
Gosto de piqueniques. Gosto também deste piquenique assim, sozinha.
Tenho a extensão de um rio à minha frente.
Rabisco no meu caderno, linhas rectas, curvas, traços grossos, floreados, escrevo ideias, desenho olhos e barcos.
Está a chegar a brisa e a nuvem.
Depois a noite e os pontos de luz.
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